A oitava edição da Missão Univida, ocorrida entre os dias 6 e 13 de julho em Dourados, no Mato Grosso do Sul, contou com uma presença mogimiriana. A estudante Mayara Cristina Moreira Gomes dos Santos, 24, se uniu a outros jovens em uma força tarefa que acontece anualmente para levar doações e fornecer atendimentos ao povo indígena nas mais diversas áreas, como Odontologia, Medicina, Enfermagem, Direito e Psicologia.

Organizada pela Associação Humanitária Univida, a missão reúne universitários que atuam em defesa da vida e dos direitos dos indígenas que habitam a localidade. As atividades são concentradas em uma escola da cidade e o trabalho compreende ainda visitas em aldeias, assentamentos e em outras escolas.

Mayara cursa Psicologia na FMPFM (Faculdade Municipal ‘Professor Franco Montoro’), em Mogi Guaçu, e resolveu se inscrever na missão para, além de ajudar outras pessoas, também buscar mais conhecimento sobre si mesma enquanto ser-humano. “Quando fiz a entrevista e fui selecionada, me propus também a fotografar tudo e tentar fazer um relato da experiência para divulgar a missão, para que esse trabalho tenha mais visibilidade e para contar um pouco da realidade tão inimaginável que existe lá. Enfim, tentar deixar o humano mais humano”, comenta a estudante.

A vivência durante as atividades em Dourados serviu para demonstrar o que ela classifica como “falta de humanidade”. “Esse povo indígena está inserido numa situação onde a desigualdade social, o preconceito e vulgarização da cultura ultrapassam limites, a violência física, psicológica e moral acabam tomando conta do local”, relata.

“A necessidade das pessoas, tanto de doações quanto de atendimentos médicos, odontológicos, psicológicos e até mesmo de atenção foram coisas que mexeram muito com cada universitário e profissional que ali se encontrava. Conhecemos uma realidade completamente diferente da qual estamos acostumados, vimos um grande número de pessoas que são fechadas por medo de se comunicar, pessoas que já não sabem mais o que um é banho, qual o sabor de uma comida, pessoas assustadas ao receber carinho, crianças cuidando de outras crianças”, frisa.

 

A estudante lembra ainda que o local possui grandes índices de abuso infantil, além de casos “rotineiros” de incesto. “As mulheres são submissas e vivem em sofrimento. Existe uma falta tão grande de estrutura e de informações que os próprios indígenas vivem em conflito entre tribos diferentes. E o que foi mais marcante é que, mesmo com todos esses problemas, com a falta de oportunidades, de chances ou de escolhas para crescimento, no olho de cada um estava estampada a esperança de um futuro melhor”.

Para Mayara, a participação na missão serviu também para reforçar o sentimento de gratidão e fomentar a necessidade de reflexão interna. “As sensações que tivemos lá quebram alguns paradigmas, nos ajudam a formar uma nova estrutura, mais forte e ao mesmo tempo mais sensível. Faz com que você pense e repense sobre suas necessidades, seus atos, seu dia a dia e todo sentido da vida e da existência. A mudança que essa experiência traz é transformadora, grande e enriquecedora”, finaliza a estudante agradecendo à Missão Univida, à faculdade, aos demais participantes colaboradores e aos indígenas pela experiência.

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