Mais um evento em âmbito cultural sofreu interferência política na região. Depois do episódio da peça teatral cancelada em Mogi Mirim diante de manifestações de vereadores, o Salão de Humor de Mogi Guaçu também acabou se tornando alvo do ‘repúdio’ de parlamentares da cidade, que se sentiram ofendidos com charges que, sob suas óticas, ofendem a Igreja Católica fazendo alusão a temas como pedofilia e homossexualismo.

As manifestações contrárias aos desenhos foram desencadeadas pelos vereadores Luciano da Saúde (PP), Natalino Silva (Rede) e Jéferson Luís (PROS). Após pedido formulado pelos vereadores à Secretaria Municipal de Cultura de Mogi Guaçu, três obras foram retiradas da exposição que compõem o 13ª Salão de Humor da cidade.

Uma das imagens mostra dois bispos e um papa observando um bebê em um berço. Essa seria alusiva à pedofilia, de acordo com o argumento dos vereadores. Em outra imagem, um padre no confessionário aparenta suposta repugnância diante de um morador de rua ajoelhado para se confessar. A terceira charge mostra a cantora Pablo Vittar e o cantor Lucas Lucco como ‘Adão e Ivo’, em alusão aos personagens bíblicos Adão e Eva.

As manifestações dos vereadores ganharam as redes sociais e geraram polêmica. Para os legisladores, os desenhos são inadequados e agridem a moral e os bons costumes. Eles, contudo, negaram que agiram como censores da mostra. Ao Tribuna do Guaçu, Luciano disse que não censurou a exposição, mas que pediu aos funcionários da Cultura para que removessem as imagens pelo fato de ser um local por onde passam crianças e adolescentes – saguão do Centro Cultural.

Os vereadores afirmaram que foram informados sobre as obras por um padre católico, que não teve a identidade revelada, mas que também teria se ofendido com as artes. Um dos vereadores, Natalino, ainda considerou que os conteúdos das exposições devem ser submetidos à avaliação dos parlamentares para que casos como este sejam evitados. “Nós precisamos barrar para que não aconteça. Quando vir uma exposição tem que saber o que vai entrar lá”.

Segundo o jornal guaçuano, o autor das duas charges alusivas à Igreja Católica é o chileno Raimundo Valdez. Já a charge sobre os artistas é de Antoni Ribeiro Martins, do Rio de Janeiro. O secretário de Cultura de Mogi Guaçu, Luiz Carlos Ferreira, disse que “cada um interpreta como quer” o conteúdo da mostra e afirmou que ficou chateado pelo suposto padre não ter falado com ele, e sim com os vereadores.

Ele considerou ainda que a divulgação das imagens pelos vereadores nas redes sociais acabou dando muito mais visibilidade às charges que a exposição física no Centro Cultural. O secretário agora demonstra preocupação de que as próximas edições do evento não mais atraiam grande número de autores. O evento é considerado internacional e recebe obras de diversos países.

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